← Voltar ao siteCapítulo publicado · Editora Telha

Fazer parte sem pertencer: quando a cidadania não é suficiente para criar pertencimento

Ter um passaporte pode garantir direitos legais, mas será que ele também garante o sentimento de pertencimento? Essa foi a pergunta que motivou minha pesquisa sobre identidade cultural e imigração, publicada no capítulo "O Fazer Parte sem Pertencer: Um Estudo de Caso sobre as Identidades Culturais de Duas Mulheres Americanas com Raízes Mexicanas".

Durante a pesquisa, entrevistei duas cidadãs americanas, Debbie Spencer e Adriana Pedraza. Ambas nasceram nos Estados Unidos e possuem cidadania americana por nascimento. Ainda assim, compartilharam um sentimento comum: nunca se sentiram completamente americanas e, ao mesmo tempo, também não se consideravam totalmente mexicanas.

Essa experiência revela que cidadania e pertencimento não são conceitos equivalentes. O reconhecimento jurídico é fundamental, mas a identidade também é construída por fatores culturais, familiares e sociais. Preconceitos, estereótipos e discriminações podem fazer com que uma pessoa seja constantemente vista como "estrangeira", mesmo tendo nascido no país.

O estudo dialoga com autores como Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Abdelmalek Sayad, Homi K. Bhabha e José Antonio Vargas para compreender como a identidade é construída em contextos de migração. Em especial, a expressão "fazer parte sem pertencer" resume a realidade de muitas pessoas que possuem direitos formais, mas ainda enfrentam barreiras para serem plenamente aceitas pela sociedade.

Essa reflexão é especialmente relevante em um mundo cada vez mais globalizado, no qual milhões de pessoas vivem entre duas culturas. Filhos de imigrantes, residentes permanentes, naturalizados e até cidadãos natos podem experimentar conflitos de identidade semelhantes, demonstrando que o pertencimento vai muito além da documentação.

Como advogada dedicada ao Direito Internacional e ao Direito Migratório, acredito que compreender essas experiências é essencial para promover um debate mais humano sobre imigração e identidade. Afinal, migrar não significa apenas atravessar fronteiras geográficas. Significa também reconstruir identidades, preservar raízes e buscar um lugar onde seja possível, finalmente, sentir-se pertencente.

A imigração envolve documentos, vistos e cidadania, mas também envolve histórias, memórias e pessoas. É justamente essa dimensão humana que merece estar no centro de qualquer debate sobre mobilidade internacional.

Leia o capítulo completo

Este artigo é uma adaptação do capítulo "O Fazer Parte sem Pertencer: Um Estudo de Caso sobre as Identidades Culturais de Duas Mulheres Americanas com Raízes Mexicanas", de minha autoria, publicado na obra Temas Contemporâneos em Direito Internacional e Imigratório: Estudos Interdisciplinares sobre Mobilidade Humana, Políticas Migratórias e Proteção Internacional, da Editora Telha.

Se você deseja aprofundar a discussão sobre identidade cultural, imigração, pertencimento e os desafios enfrentados por filhos de imigrantes, convido você a ler o capítulo na íntegra.

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Sobre a autora

Sou advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS nº 111.490), com atuação nas áreas de Direito Migratório, Direito Civil e consultoria jurídica para estrangeiros com interesses no Brasil e brasileiros residentes no exterior.

Resido nos Estados Unidos desde 2019, experiência que ampliou a minha compreensão sobre os desafios enfrentados por quem vive, investe ou mantém vínculos entre diferentes países. Essa vivência internacional permite compreender as necessidades dos clientes de forma mais próxima e oferecer soluções jurídicas estratégicas, seguras e alinhadas às particularidades de cada caso.

Ao longo da minha trajetória profissional, concluí uma Especialização em Direito Migratório e um MBA em Direito Imigratório, Migratório e Cenário Internacional.

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